Language :

Author : Teixeira, João [cartographer]
Title : Livro Universal das navegações feito em Lisboa por João Teixeira, Cosmógrafo de Sua Majestade, no ano de 1643.

Level : item  / Reference : IAN/TT, Casa Forte, nº 210

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 :
Lisboa - Instituto dos Arquivos Nacionais Torre do Tombo - IANTT - (Lisboa - Portugal)

Notice types :

  • Manuscript

Organization :

Lisboa - Instituto dos Arquivos Nacionais Torre do Tombo - IANTT - (Lisboa - Portugal) (Lisbonne, PORTUGAL)

Language :

Portuguese

Material Lang 1 :

Portuguese

Date :

  • 1643

Physical description :

Manuscrito, pergaminho, iluminado, 661mmx486mm

Scope content :

• João Teixeira - Cosmógrafo

João Teixeira nasceu em Lisboa, talvez no início do último quartel do século XVI, e morreu em data que se poderá situar pouco depois de 1662.
Esta personalidade, que também é conhecido por João Teixeira Albernaz I, (para assim o diferenciar do seu neto homónimo), pertenceu a uma dinastia de cartógrafos de que se conhece um grande número de representantes e por um longo período de tempo, que vai desde os meados do século XVI até ao fim do século XVIII.

João Teixeira terá aprendido a arte da cartografia com seu pai, Luís Teixeira, tendo recebido a 29 de Outubro de 1602 a carta de ofício de mestre em fazer “cartas de marear, astrolábios, agulhas e balestilhas”, e a partir de 1605 é nomeado cartógrafo no Armazém da Guiné e Índia, onde exerceu a sua actividade até ao fim da sua vida. Em 1662 apresenta uma petição para ser provido do lugar de Cosmógrafo-Mor, tendo sido preterido a favor de Valentim de Sá.

A obra deste cartógrafo tem um acentuado interesse, tanto pela sua amplitude e variedade, como pelo registo do progresso dos descobrimentos e explorações, quer marítimas quer terrestres. A sua produção conta com 19 Atlas, um grupo de 4 cartas, 2 cartas soltas, (para além da uma incluída num Atlas de outra origem), 8 cópias de dois dos 19 Atlas, (num total de 215 cartas), mais duas gravadas, sendo algumas delas dignas de registo, como seja o caso do “Livro que dá Razão do Estado do Brasil” c. 1626, os “Atlas do Brasil” de 1631 e 1640 e o “Atlas Universal” de 1643, com 8 cartas, e que é uma obra de excepcional valor artístico e bastante diferente dos outros Atlas do autor, por ter um carácter basicamente hidrográfico.

Os diversos tipos de trabalhos cartográficos realizados por João Teixeira podem repartir-se pelas seguintes áreas: atlas do Brasil, atlas do Oriente, atlas universais, cartas de Portugal e cartas soltas.

Avelino Teixeira da Mota avaliou em 1960 que as obras de João Teixeira que chegaram até nós, quer as assinadas quer as que lhe são atribuídas, perfaziam 409 cartas. Este número dá-nos bem a noção da grandeza do conjunto de uma obra que importa conhecer.


• O Atlas de 1643 de João Teixeira

No título deste altas pode ler-se, no recto da primeira carta, “Livro vniversal das navegasões feito em Lisboa por Ioão Teixeira Cosmographo de Sva Magestade, Anno 1643”.

O atlas universal que João Teixeira fez em 1643 constitui o último de uma longa série de obras iniciadas cerca de 132 anos antes com o atlas de Francisco Rodrigues (1511-1515). Entretanto, o interesse pelos atlas impressos que haviam começado a ser divulgados pelos holandeses desde o século XVI, foi diminuindo a anterior importância da cartografia portuguesa manuscrita e de prestígio.

Na era de Seiscentos, os cartógrafos portugueses ainda procuravam manter as características de cartas e atlas de que haviam sido pioneiros na revelação fascinante da nova imagem do Mundo, que havia posto de lado os modelos ptolomaicos.
A visão das diferentes partes da Terra que se espelha no belo atlas iluminado de 1643 é a dos tempos modernos que se haviam iniciado com os Descobrimentos Portugueses.



As folhas deste atlas estão profusamente decoradas com iluminuras nas quais se mantêm elementos de uma tradição ornamental com iluminuras que vinham do século XVI, a qual se expressa na figuração das rosas dos ventos, castelos com bandeiras, armas do rei de Portugal e de outros reis (a assinalar a posse de territórios), assim como


elementos a que se dá maior destaque, como a cruz junto da qual está um cristão a rezar, no Congo, ou uma tenda a marcar o reino do Preste João, na Etiópia.

A leitura destas iluminuras poderá levar o investigador ou simples curioso longe, mas gostaríamos de chamar a atenção para certas particularidades, como aquela que se encontra na Península Ibérica, onde se colocaram lado a lado as armas dos reis de Portugal e de Espanha, numa clara manifestação visual de reafirmação da plenitude de uma independência orgulhosamente restaurada em Portugal (1 de Dezembro de 1640).

As cartas, que em seguida referimos, revelam um trabalho de características hidrográficas, que não está tão vincado nas restantes obras de João Teixeira, mas por outro lado verifica-se que os elementos ornamentais deste atlas o transformam na obra visualmente mais rica do conjunto dos seus trabalhos, sendo estas preocupações estéticas que o levaram a aproximar-se de modelos que se encontram em atlas quinhentistas. Estes são elementos reveladores de uma realização de grande prestígio e responsabilidade que apontam para a possibilidade de estarmos perante uma obra destinada ao próprio rei D. João IV.

Em seguida, apresentamos uma descrição sumária do conteúdo das cartas que constituem este altas:

1º carta – Atlântico Norte com a Europa ocidental, o Noroeste de África e a Terra Nova;
2ª carta – Atlântico Sul com as costas de África e do Brasil;
3ª carta – Sudoeste do Oceano Índico com a África oriental, Madagáscar, o sul da Índia, Ceilão e norte de Samatra;
4ª carta – Próximo e Médio Oriente com o Mediterrâneo oriental e o norte do Oceano Índico;
5ª carta – Sudoeste Asiático e Extremo Oriente, com as costas desde o Golfo de Bengala até ao Japão;
6ª carta – Pacífico norte desde a Nova Guiné e o Japão até ao México;
7ª carta – Américo do Sul com as terras para sul do Equador, sem a parte oriental da costa do Brasil;
8ª carta – Atlântico norte com as costas americanas desde a Terra Nova até ao Brasil, para lá do Maranhão, com as ilhas e as costas ocidentais da América Central.

Other finding aids :

Encontra-se disponível uma versão online no seguinte endereço:
ttonline.iantt.pt/dserve.exe?dsqServer=calm6&dsqIni=Dserve.ini&dsqApp=Archive&dsqCmd=show.tcl&dsqDb=Catalog&dsqPos=3&dsqSearch=((text)='atlas')
através do TTonline.

Geognames :

  • Lisboa [other]

Subject :

  • 090a Manuscripts
  • 909 World history
  • 910-4 travels accounts
  • 911 Historical geography (historical atlases)
  • 912 - graphic representation of earth (atlas, maps and plans)
  • 912-4 - graphic representations, Europe (atlas, maps and plans)
  • 912-54 - graphic representations, India and South Asia (atlas, maps and plans)
  • 914 Geography of Europe
  • 915 - Asian geography
  • 950 - general history of Asia Far East

Notes :

Integrado no acervo do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo em 2003, este é o último dos grandes atlas universais da prestigiada Cartografia Portuguesa dos séculos XVI e XVII.
Deste tipo de obras, em que se representam todas as parte do Mundo, conservam-se seis exemplares em Portugal, estando os restantes vinte e quatro que se conhecem em bibliotecas do estrangeiro, pois estas obras de aparato sempre foram muito cobiçadas.
Este tesouro, que conseguiu sobreviver às catástrofes naturais ou à incúria dos homens, pode assim permanecer em Portugal, enriquecendo o nosso património e em particular o do Arquivo Nacional.

O presente atlas é constituído por 8 cartas iluminadas, traçadas em folhas de pergaminho com 486mmx661mm, que foram dobradas e coladas pelo verso às metades correspondentes da carta anterior e da carta posterior.

Deste exemplar apenas se sabe que no século XVIII pertenceu a um capitão Francisco Ferroni e no século XX a José Carlos Salema Garção.

Encontra-se disponível uma versão online no seguinte endereço:
http://ttonline.iantt.pt/dserve.exe?dsqServer=calm6&dsqIni=Dserve.ini&dsqApp=Archive&dsqCmd=show.tcl&dsqDb=Catalog&dsqPos=3&dsqSearch=((text)='atlas')
através do TTonline.

Para mais informações consulte o artigo de José Manuel Garcia disponível na versão online do nosso Boletim nº 11 (Jan-Mar 2005)

Durante o mês de Setembro de 2006 a documentação encontra-se disponível ao público no Piso 1, no Hall principal, junto ao Bengaleiro, de 2ª a 6ª feira, das 9h30m às 19h15m e aos sábados das 9h30m às 12h15m.

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